terça-feira, 1 de abril de 2008

Mais fotos e um leao





Oi, hoje é o dia das brincadeiras parece. Nao fiz nenhuma (ainda) nao me sinto de humor para rir, infelizmente. Mas passara porque tudo passa na vida.
Eis algumas fotos engraçadas

sábado, 29 de março de 2008

Fotos!!!!






Oi todos!! Eis as fotos prometidas desde muito tempo ja. tentei da-lhes titulos apropriados e (mais ou menos) significativos. Aproveitem que nao tem frio de -19 no Brasil (como temos hoje!!

Amor a todos vocês. Até logo!!!!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Primavera???

Hoje é o dia oficial da chegada da primavra no Canada. Ainda bem que sabemos disso!!! Com toda esta massa branca que nao quer ir embora e que cobre tudo de ume capa brilhante, podemos duvidar disso.

Estou com saudade do Brasil, muita saudade. Fico trabalhando na minha crônica de economia solidâria, vejo alguns amigos, oriento minha vida com principios norteadores (nao tem como escapar disso com o frio que tem aqui).

Me parece que as passoas aqui sao tao individualistas, como se nunca tivesses reparado isso antes... Me sinto bem sozinho mas é bom assim. Prefiro viver minhas emoôes etomar tempo para mim do que pretender ser feliz.

Brasil, você é luz, é calor, é aconchego e apertura. Você nao tem frontera. Eu sou brasileira. Eu sou do mundo. Eu daqui a pouco volto.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Identidade na neve

Hoje uma tempestade de neve absolutamente maravilhosa cobre o ceu de branco. Nao se vê nada. Tal vez tenha também uma tempestade tao forte dentro de mim. Vou aproveitar para sair nesta natureza selvagem com a minha cachorra, bem vestida naturalmente.

Todo mundo aqui tem ansia de ver o inverno terminar, flores brotarem, verde e nao mais branco. Sendo uma descendente de Branco por minha mae que se chama Leblanc, nao posso recusar o frio, a imaculada concepçao que fez todo originar. E nao importa errar, porque aqui nao tem problema, nao tem barulho, so milhoes de flocos de neve todos diferentes mas tao iguais ao mesmo tempo caindo da abobada celeste a um ritmo calculado.

Estes flocos sao como nos, os seres humanos. Queremos tanto provar nossa identidade, nossa unicidade, enquanto somos no fundo tao ligados uns aos outros... Nao precisamos mais do ego, precisamos unir nossas forças para alcançar outro patamar de consciência global. Ja estamos chegando.

Termino esta postagem um pouco melancolica com um extrato do livro A arte e ver e de ouvir. 'Sopra o vento e ruge alto a tempestade e no auge da ventania voam telhados, arvores se destroçam e nuvens se chocam e se dissipam para que, posteriormente paire a suave brisa. No dia da ventania so restara aquilo que deve permanecer e perante o vento nao ha mascara que prevaleça. Se prepara, oh! guerreiro para que, quando o vento chegar, as tuas asas possam suportar as alturas, as tuas penas aguentarem firmes e teus ouvidos auportarem o ruido, majestoso, mas dolorido. Ha que se encarar a solidao e perder-se nas trevas da noite, como aguia altaneira e solitaria. Esta e a cançao do passaro. Benditas sejam as tempestades que prevalecem para testarem a força da arvore. Benditas sejam as arvores que podem suporta-las.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Bye Bye Brasil, até LOGO

Devido a circunstâncias independentes da minha vontade, vou viajar fora do Brasil amanhâ. Vou seguir alimentando este blog, já que o portuguès e o Brasil fazem desde sempre parte da minha.

Hoje quero só AGRADECER. Agradecer vocês por ler meu blog de vez em quando, agradecer o povo brasileiro pelo seu calor humano, pelo seu amor. Sempre me senti bem no Brasil, bem recebida e feliz.Por isso, daqui a pouco vou voltar. Minha vida é no Brasil.

Fiquem bem, em paz. Deixo com algumas mensagens espirituais (que não são minhas mas que devem ser compartilhadas). Espero que lhes agradem.

Delphine xxxx

Amor, amor, maor, tão perto, tõ longe, tão simplesque se torna complicado. Quando, movidos pelo amor e trabalhando com alegria, chegarmos a compreender todas estas coisas, entâo o carinho pelas sementes e pelo crescimento dos brotos chegará a tal intensidade que até nos esqueceremos que daquelas árvores um dia poderão surgir frutos. Este é um dos grandes mistérios da vida.
Paciência, paciência, paciência, que exótico perfume exala esta flor...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O que é o consumo consciente e sua importância em nossas vidas

A Agricultura Natural atende à consolidação de um conceito representativo deste início de milênio: o Consumo Consciente - Responsável.
O Consumo Consciente é um grande instrumento para as transformações fundamentais na nossa sociedade.

Para o Consumo Consciente basta considerar as conseqüências e desdobramentos do simples ato de comprar.

Em todo o mundo, os consumidores podem privilegiar (ou não) empresas de acordo com a conduta adotada para o desenvolvimento de suas atividades.

Neste sentido, a prática e o consumo da Agricultura Natural, representam um importante instrumento para a transformação das relações de consumo.

A Agricultura Natural tem claras implicações ecológicas, sociais (à medida que fortalece a agricultura familiar) e à saúde (de lavradores e consumidores).

A Agricultura Natural tem forte impacto social, na medida em que fortalece os pequenos núcleos de Agricultura Familiar, fragilizada pelo domínio da agricultura extensiva.

A fragilidade da Agricultura Familiar é uma das principais causas da contínua migração dos homens do campo para os centros urbanos, que provoca o aumento da pobreza e da marginalidade no Brasil.

Pela importância do desenvolvimento agrícola sustentável para a consolidação de uma sociedade mais justa, a Korin Agricultura Natural tem incentivado o associativismo de produtores familiares.

Lidera, junto a outras instituições, o processo de criação de importantes associações (AVAL e AECO) para o desenvolvimento agroecológico.

Busca apoio e parcerias com empresas públicas e privadas, governos, instituições de ensino e pesquisa, ONG´s, pessoas físicas e demais instituições sociais dispostas a trabalhar e incentivar iniciativas efetivas para o desenvolvimento social integrado.

Informação obtida no site http://www.korin.com.br/consumo/home

Outros sites de consumo consciente interessantes de descobrir:

Instituto Akatu: www.akatu.net

Associação civil alternativa Terrazul: www.terrazul.m2014.net

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Elógio ao capitalismo

Eis um texto a sabor poética que escrevi na época do Natal. Vão perceber porque.

Bem-vindos no mundo do dinheiro

O consumismo ma tá saindo pelos ouvidos
Não quero mais saber nada disso
Nada dos shoppings sempre abertos
Nada dos bens materiais descartáveis
Nosso mundo já foi engulido
Pelo tão poderoso CONSUMISMO
Não quero mais nada disso

Fora uma vez por toda o consumismo
Fora uma vez por toda o capitalismo

Natal, presentes, tudo tá tão bonitinho!
Tão colorido, tão perfeito, tão gostoso!
No mundo do quero, quero, quero
Tudo tá pronto para ser comprado
Tudo é objeto
E OBJETO só

No mundo do consumismo
E do capitalismo
Tudo pode e DEVE ser COMPRADO

Bem-vindos no mundo do DINHEIRO
Onde tudo mundo quer sempre POSSUIR mais objetos
Sim, todo mundo
No mundo do quero, quero, quero

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O desenvolvimento do transporte público sustentável e duradouro em Brasília

O Programa de Transporte Urbano do Distrito Federa (PTU), o Brasília Integrada, existe desde 2004 e provem do Secretaria de Transportes. O Programa acaba de receber um orçamento internacional graças a um empréstimo ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O objetivo principal de Brasília Integrada é promover o transporte público mediante a melhoramento do transporte coletivo urbano no DF e a criação de novas vias de transporte alternativo e não-poluente. Atualmente, Brasília tem 850 linhas de ônibus interurbanas diferentes. Depois da implantação do programa Brasília Integrada, a cidade contará com apenas 320 trechos.

Em 6 de dezembro de 2007, uma das primeiras concorrências públicas foi aberta, com a meta de contratar a empresa de menor preço para a execução das obras planejadas. Em 7 de janeiro passado, foi enviada uma carta-convite para escolher a empresa responsável de produzir o Relatório de Controle Ambiental. As obras de transformação urbana profunda devem durar até 2014, depois que acabar o período do governo atual, cujo prazo vence em novembro de 2011. O contrato para outorgar o empréstimo de US$ 176,7 milhões será assinado a semana que vem em Washington. Em contrapartida deste dinheiro, o governo federal acrescentará US$ 93,1 milhões.
Concretamente, o Programa Brasília Integrada se divide em 4 etapas. Na primeira fase, ganharão corredores exclusivos para transporte coletivo sete avenidas brasilienses: Hélio Prates, EPTG, Smadu, Avenidas Comercial e Central de Taguatinga, Estrada Parque Indústrias Gráficas (EPIG), e Estrada Parque Setor Policial Sul. Esta fase inclui também a implantação de 31 terminais de integração, sendo que 17 serão construídos e 14 reformados. A segunda etapa de Brasília Integrada será a implantação de uma nova concepção de operaçaõ para o sistema de transporte público coletivo: a integração ônibus- metrô - microônibus. Isso será possibilitado pela implantação de vias exclusivas para ônibus, a construção de abrigos de passageiros e a implantação da bilhetagem eletrônica, que permite o pagamento único e o uso de qualquer tipo de transporte público durante um prazo predefinido.

A terceira etapa é a mais avança do ponto de vista dos transportes duradouros e sustentáveis. Consiste na introdução de transportes coletivos tipo Veículos Leves sobre trilhos (VST), cujos investimentos serão de R$ 1,35 bilhão. Serão construídos 4 ramais que interligarão a Asa Sul à Asa Norte, o aeroporto à rodoviária e o Memorial JK ao Congresso Nacional. O Departamento das Estradas e das Rutas (DER) DFTrans (Autarquia de transporte urbano do DF) e Novacap são as três Unidades de Gerenciamento Locais (UGL) do Programa de Transporte Urbano do DF. O primerio ramal será inaugurado em 2008 e interligará a Asa Sul à Asa Norte.

Finalmente, a quarta fase ocorrerá a primeira, com a abertura de 42 novos quilômetros de ciclovias interligando São Sebastião, Itapoâ e Samambaia a Brasília. A meta deste projeta é favorcer u oso da bicicletas pelos trabalhadores até o ponto de trabalho. Da mesma maneira, os atletas, que utilizam as ciclovias para treinar e se manter em forma, constatarão as inumeráveis vantagens deste projeto, chamado Pedala DF. Atualmente, a única ciclovia de Brasíla se encontra no Parque da Cidade e é um circuito fechado de aproximadamente 20 km. Um ciclista que usa as vias que nâo são reservadas aos ciclistas corre grande perigo de morte ou de ser atropelado, dado que a taxa de acidentes automobilístico é ainda muito alta. Além disso, o Programa Brasília Integrada prevê a instalação de bicicletários nos lugares estratégicos: por exemplo, a Estação de metrô 33 em Samambaia. Não tem nenhum bicicletário na cidade de Brasília neste momento. O Projeto Cicloviário do DF contará com 400 km de ciclovias em diversas áreas do DF e com ciclofaixas e sinalização de proteção ao ciclista.

Para terminar, só podemos alegrar-nos com esta notícia cheia de promessas que nos permitem entrever um futuro ecologicamente melhor, uma vida mais sã para todos os Brasilienses e as gerações futuras. Cada vez mais trabalhadores usam o metrô para ir ao trabalho. Todo dia podemos fazer algo para preservar o meio ambiente. É nosso dever agir bem em função do bem, porque cada gesto, mesmo o menor, faz uma diferença no final das contas.

Para escrever este artigo me baseei no caderno especial Brasília Integrada, publicado em 26 de janeiro de 2008 pela Secretaria de Transportes, em colaboração com Governo Do Distrito Federal, no Jornal da Comunidade de Brasília.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O que é um software livre e sua importância no desenvolvimento da Economia Solidária

O que é um software livre e sua importância no desenvolvimento da Economia Solidária

Um software livre (conhecido em inglês como Free-/libre and Open Source software -FLOSS) é um programa que pode ser baixado gratuitamente na Internet, embora existam softwares livres que não sejam gratis. Existem 4 liberdades fundamentais ligadas aos softwares livres :
-a liberdade de executar o programa para qualquer uso que seja
-a liberdade de estudar o funcionamento do programa e de adaptá-lo às suas necessidades
-a liberdade de distribuir cópias do software sem causar prejuízo para ninguém
-a liberdade de melhora o programa e de publicar suas melhorias para que o conjunto da comunidade aproveite.

Entre os anos 1993 e 2007, os softwares livres contribuiram para o desenvolvimento do Web. Por exemplo, os servidores Apache, os gestores de bancos de dados MySQL e os sistemas de gestão de conteúdo (Content Managment System- CMS) Joomla, Drupal, SPIP e Mambo.

Eis alguns sites de softwares livres para conhecer melhor, baixá-los ou só para descobrir:

Open Source: http://www.opensource.org

Mozilla Firefox em português: http://br.mozdev.org

NGO-in-a-Box (conjounto de softwares livres úteis para as ONGs) http://www.ngoinabox.org

GNU-Win: http://gnuwin.epfl.ch

SPIP (Sistema de Publicaçaõ Para Internet) http://spip.org

Joomla: http://www.joomla.org

Joomla em português: www.joomla.com.br

Drupal: http://drupal.org/

Drupal Brasil: http://drupal-br.org/ 1

Em qué os softwares livres podem ajudar a melhorar a Economia Solidária??

No sistema capitalista, o conhecimento, assim como qualquer outra coisa, é visto como uma mercadoria. Portanto, a propriedade intelectual e os direitos de divulgação restritos que são impostos pela lógica capitalista aos bens intelectuais restringem a livre circulação das idéias e dos conhecimentos. De fato, a geração de lucro contraria em muitos aspectos a lógica da colaboração mútua.

Dando que a Economia Solidária quer ser uma alternativa ao capitalismo, se opõe ao lucro e prioriza um tipo de gestão horizontal que centraliza o trabalho humano e a autogestão, os softwares livres representam uma tecnologia emancipadora. Assim, os softwares livres podem ser usados para criar uma nova forma de riqueza social, na qual subverte-se o modelo capitalista de propriedade intelectual vigente no software proprietário. Os softwares livres não possuem códigos segretos como é o caso dos softwares proprietários. São fácis de compreender, de instalar, de utilizar e de transmitir para outros. Desta maneira, os softwares livres beneficiam a toda a comunidade. Existem softwares livres especialmente criados pelas ONGs (por exemplo, NGO-in-a-Box).

Além disso, por ser produzido coletivamente e licenciado de maneira permissiva, (a licença Creative Commons dá o direito de distribuir, reproduzir e copiar enquanto a fonte é citada), o software livre auxilia na democratização do acesso ao conhecimento, e dificulta a apropriação privada deste patrimônio da humanidade, que é considerado entâo como um bem comum que pertence a todos e do qual todos são responsáveis. 2

Para terminar, é bom pensar nos inumeráveis usos possíveis dos softwares livres, não só pela Economia Solidária, mas para tudo. O software livre defende os valores de justiça social, de apropriação cidadã das novas tecnologias e de livre acesso de todos à informação. Para todas as razõs que acabamos de enumerar, o uso dos softwares livres deveria ser priorizado.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A Economia Solidária no Brasil:a solução para construir uma sociedade mais justa e mais democrática?


A Economia Solidária no Brasil:

a solução para construir uma sociedade mais justa e mais democrática?

Resumo: A chegada do presidente Lula ao poder permitiu à Economia Solidária adquirir importância e não ser mais considerada como um setor marginal dentro da economia tradicional. Ao mesmo tempo, como experiência de transformação política, social, econômica e cultural, a Economia Solidária representa tanto uma resposta, como uma crítica ao capitalismo. A Economia Solidária focaliza o ser humano, a democracia participativa, a justiça social, a autogestão e a preservação do meio ambiente. A meta desta crônica é explicar que, apesar de suas lacunas, a Economia Solidária cumpre um papel importante na formação e no desenvolvimento, a longo prazo, de uma sociedade brasileira mais humana e mais democrática.


Desde que Lula acessou à presidência e mesmo antes, as iniciativas governamentais para consolidar e fortalecer o setor da Economia Solidária no Brasil têm sido numerosas. Ao mesmo tempo, como experiência de transformação política, social, econômica e cultural, a Economia Solidária representa tanto uma resposta, como uma crítica ao capitalismo. De fato, a Economia Solidária focaliza o ser humano e não o capital. Por isso, em vez de favorecer a competição e o acúmulo de riquezas materiais, a Economia Solidária se baseia na cooperação, na solidariedade, no trabalho coletivo, na democracia, na reciprocidade, na ajuda, na propriedade coletiva, no desenvolvimento comunitário e humano, no respeito para com o meio ambiente, na autogestão e na justa distribuição da renda. Além disso, a Economia Solidária privilegia a igualdade de gênero, raça, etnia e o acesso igualitário à informação e ao conhecimento. Nesta nova forma de conceber a economia, os(as) trabalhadores(as) são os(as) que gerem todas as etapas do ciclo econômico, da produção até a comercialização. A Economia Solidária é uma alternativa aos mercados tradicionais, pois compartilha os frutos do labor e as riquezas da terra equitativamente com todos e todas, dos(as) produtores(as) aos(as) consumidores(as).

Os princípios que sustentam a Economia Solidária são os seguintes:
• Combater a exclusão social, eliminando as desigualdades materiais.
• Articular o consumo solidário com a produção, a comercialização e as finanças de modo orgânico e dinâmico, do nível local até o nível global.
• Contribuir para o progresso individual e o bem comum pela melhoria da qualidade de vida e de trabalho de cada um e de todos, respeitando o meio ambiente.
• Substituir práticas tradicionais de competição e de maximização do lucro individual por novos conceitos, como vantagens cooperativas e eficiência sistêmica.
• Promover a justiça econômica e social e a democracia participativa sem a tutela de Estados centralizadores e longe das práticas cooperativas burocratizadas.
• Ampliar as oportunidades de trabalho, mantendo a atividade econômica ligada ao seu fim primeiro, que é responder às necessidades produtivas e reprodutivas da sociedade.
• Articular solidariamente os diversos elos de cada cadeia produtiva, em redes de entidades de apoio e empreendimentos que se apóiam e se complementam.

Apesar de suas lacunas organizacionais, a Economia Solidária representa um leque de possibilidades de desenvolvimento através experiências fértis frutos de um novo tipo de economia que tem como meta revolucionar o mercado e as relações econômicas tradicionais.

Primeiro, faremos o histórico da Economia Solidária no Brasil, introduzindo as etapas chaves da sua evolução, a partir de seu nascimento nos anos 1980 até hoje em dia. Segundo, apresentaremos a abertura política em direção à Economia Solidária feita pelo governo federal brasileiro, desde os anos 2000. Concluiremos esta crônica com uma síntese dos principais temas enunciados. Os aspectos que serão destacados neste trabalho são muito importantes para quem quer compreender as relações que existem entre o setor da Economia Solidária, a sociedade e a política brasileira, principalmente o Partido dos Trabalhadores. A meta desta crônica é determinar se a Economia Solidária leva nela não só o sonho de uma sociedade mais humana e mais democrática, mas se é também a via do futuro para atingir uma democracia verdadeira e acabar com as desigualdades de renda.

Da economia social à Economia Solidária

A palavra solidariedade é de origem latina (solidum) e significa dívida comum da qual todos são conjuntamente responsáveis . A solidariedade abrange os termos reciprocidade e ajuda. Ela é diferente do assistencialismo. De um lado, a economia social que foi desenvolvida na Europa, e que existe também no Quebec, se define como um conjunto de empreendimentos que produzem bens e serviços segundo regras jurídicas predefinidas. Na economia social, o poder não é ligado ao fato de possuir capital e a acumulação de lucro não é a meta procurada. A aparição do termo economia social tem a ver com a seguinte constatação: as associações fazem parte não somente da esfera sócio-cultural, mas também do setor da economia de não-mercado.

De outro lado, a Economia Solidária enfatiza o desejo da economia social de eliminar o fosso entre as esferas política, social e econômica. Portanto, a Economia Solidária fica bem na junção entre estas três esferas. Aliás, a Economia Solidária se difere da economia social, já que a economia social se baseia na igualdade dos parceiros, enquanto a Economia solidária pressupõe certa desigualdade nos papéis dos(as) atores(as), alguns(as) sendo receptores(as) e outros(as) doadores(as). Além dos conceitos de economia social e de Economia Solidária que acabamos de ver, existe também o termo economia popular ou economia popular solidária. Este conceito se refere a uma economia produzida para e pelas pessoas de renda mais baixa e se usa geralmente na América latina.

A Economia Solidária brasileira é herdeira das experiências de economia social que têm sido conduzidas na Europa a partir de 1848 . As primeiras experiências brasileiras de Economia Solidária surgiram na década de 1980, num contexto de recessão mundial seguindo a crise petroleira de 1973. De fato, a década 1980 marca o fim do ciclo de industrialização no Brasil, a estagnação do PIB e do nível de renda per capita, a crise da dívida externa e o crescimento do setor da economia informal . A partir dos anos 1980, vários pesquisadores(as), pensadores(as), sociólogos(as) e economistas oriundos(as) de diversos países começaram a desenvolver uma literatura e um movimento social em torno de uma nova forma de economia, baseando-se nas experiências latino-americanas de empresas recuperadas pelos(as) trabalhadores(as) que se tornaram empreendimentos autogeridos. Além disso, a teoria econômica exposta por Yaroslav Vaneck contribuiu para favorecer a aparição da Economia Solidária no Brasil.

As primeiras experiências de Economia Solidária no Brasil estão ligadas à Igreja católica, particularmente ao organismo Caritas Brasileira , que incentivou as comunidades de baixa renda a juntar-se para criar uma fonte de renda, e assim melhorar suas condições de vida, constituindo os primeiros empreendimentos de Economia Solidária brasileiros. O nascimento da Economia Solidária foi possibilitado pela junção de vários grupos de esquerda: movimentos sociais, militantes engajados(as) no processo das mudanças sociais, sindicatos de operários(as) e ideologias alternativas como a teologia da libertação. A conjunção desses grupos formou um núcleo de idéias novas que tinha como objetivo principal construir outra sociedade mais justa e mias democrática, por meio do socialismo. Os valores de solidariedade veiculados pelos movimentos socialistas têm como meta melhorar as condições de vida dos mais pobres e estabelecer relações de solidariedade duradouras com os grupos que historicamente foram excluídos e marginalizados.

A década 1990 simboliza a vontade de construir redes nacionais de Economia Solidária. No nível da economia nacional, o Brasil ainda está padecendo dos efeitos colaterais da crise econômica, que levou a inflação a altíssimos índices, chegando até 1800%, em 1989 . Igualmente, o sistema capitalista continua mostrando sinais de fraqueza: importantes e volumosas demissões de trabalhadores(as) das multinacionais e grandes empresas e início das políticas de ajustamento estrutural para começar a reembolsar a dívida pública externa.

Nesta época, em contraponto,as universidades decidem entrar nesta nova economia e concebem incubadoras de cooperativas, por meio da Rede de ITCPs (Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares) e da rede Unitrabalho . Do mesmo jeito, é durante a década 1990 que as primeiras políticas de Economia Solidária são criadas, influenciadas pelos pedidos repetidos dos trabalhadores desempregados procurando novas maneiras de gerar renda.

Da mesma maneira, os anos 2000 equivalem à renovação da construção da Economia Solidária no Brasil, sobretudo após a chegada do governo Lula ao poder. O primeiro Fórum Social Mundial, que aconteceu entre os dias 25 e 30 de janeiro de 2001, em Porto Alegre , foi um lugar de diálogo propício à convergência das ações de resistência contra a globalização neoliberal. Desde o seu primeiro ano de existência, o FSM teve a missão de articular os diferentes setores da Economia Solidária no Brasil e de outros países também. O resultado desta convergência foi o estabelecimento de um conjunto de temas comuns aos atores da Economia Solidária que servem para orientar a luta contra o capitalismo. Dentro deste espaço de discussão aberto a todos(as) os(as) trabalhadores(as) aprofundaram o tema dos limites e das possibilidades reais que oferece a constituição de empreendimentos econômicos solidários. No mês de novembro de 2002, depois da vitória eleitoral do PT, o Grupo de Trabalho Brasileiro de Economia Solidária (GTBES) começou a articular o setor da Economia Solidária em redes. O GTBES tinha dois objetivos principais: 1) reivindicar um espaço reservado à Economia Solidária dentro do governo, para defendê-la contra a competição do mercado capitalista e 2) constituir um Fórum Brasileiro de Economia Solidária. Em dezembro de 2002, o GTBES enviou uma carta ao governo Lula, solicitando a construção de uma política nacional de apoio à Economia Solidária. Finalmente, em 2003, foi criado o primeiro Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), evento no qual participaram mais de 800 representantes oriundos de 18 Estados brasileiros. O objetivo do FBES é articular e mobilizar os setores que formam a base da Economia Solidária no Brasil e cumprir o papel de intermediário com o governo federal.


As políticas públicas de Economia Solidária

Considerando a situação de extrema desigualde de riqueza que prevalece ainda hoje no Brasil , é fundamental mudar a lógica de funcionamento do Estado a fim de conferir-lhe certa legitimidade, além de instaurar um diálogo construtivo com a classe trabalhadora que ficou muito tempo ignorada pela classe dirigente. As políticas públicas que o Partido dos Trabalhadores fundou têm como meta a inclusão social e a organização econômica dos mais desprovidos em redes e núcleos duradouros, permanentes, auto-sustentáveis e independentes financeiramente. As políticas públicas ligadas à Economia Solidária promovem a justa distribuição da renda, a transformação das relações de trabalho e a organização econômica e social sob o princípio da autogestão. O objetivo destas políticas é apoiar a geração de trabalho e renda, respeitando, ao mesmo tempo, os princípios inerentes à economia solidária e criando uma organização coletiva duradoura e viável economicamente, organização que será uma alternativa ao capitalismo, de médio a longo prazo. Essas políticas são concebidas para grupos e não para indivíduos, se baseiam no diálogo constante com os atores da sociedade civil e respondem a demandas específicas de diferentes grupos sociais cujas necessidades variam. As políticas públicas ligadas à Economia Solidária se dividem em três níveis: municipal, estadual e nacional.

A primeira política municipal de Economia Solidária foi desenvolvida em Porto Alegre entre 1989 e 1992, enquanto as primeiras políticas nacionais apareceram em junho de 2003, após a inauguração da SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária) A SENAES tem o papel de coordenar as políticas públicas nacionais de Economia Solidária, por meio do Programa Economia Solidária em Desenvolvimento, do qual resultam o Projeto de Promoção do Desenvolvimento Local e Economia Solidária (Brasil Local), o apoio à recuperação de empresas pelos trabalhadores em autogestão; o apoio à organização e fortalecimento de redes e cadeias produtivas de Economia Solidária; a promoção do comércio justo e solidário; o fortalecimento das finanças solidárias; a promoção de feiras de Economia Solidária; a criação de centros públicos de Economia Solidária; o Programa nacional de Incubadoras de cooperativas populares (PRONINC), a formação em Economia Solidária e o mapeamento da Economia Solidária, entre outros.



Abertura política para o tema da Economia Solidária

Entre as vitórias mais significativas que resultam das políticas públicas de Economia Solidária, podemos mencionar três iniciativas oriundas da SENAES para promover a Economia Solidária nas esferas local, regional e nacional:

1. O Sistema Nacional de Economia Solidária (SIES) tem por objetivo recensear os empreendimentos solidários do país e coletar dados quantitativos e qualitativos sobre os progressos da Economia Solidária.

2. A Conferência Nacional de Economia Solidária (CONAES) que ocorreu no mês de junho de 2006, criou um espaço de discussão entre o governo e a sociedade civil em relação às orientações e aos desafios da Economia Solidária para os próximos anos.

3. Finalmente, o Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES) é um órgão consultivo que age como intermediário entre os atores da sociedade civil e o governo.


Conseqüências sociais do desenvolvimento da Economia Solidária no Brasil: um balanço positivo

O setor da Economia Solidária se divide em vários tipos de organizações: associações, empresas recuperadas, redes de empreendimentos solidários, clubes de troca, grupos culturais, bancos comunitários e cooperativas. As cooperativas podem ser de produção, de consumo, de crédito, de troca e comercialização, de habitação, de segurança, de assistência médica e de outras atividades. A maior parte dos empreendimentos solidários está organizada sob a forma de associações (54%), seguida dos grupos informais (33%), das organizações cooperativas (11%) e das outras formas de organizações (2%). Quanto aos motivos de criação de um empreendimento solidário, os três principais são: a alternativa ao desemprego (45%), o complemento de renda (44%) e a obtenção de ganhos maiores (41%). Em 2005, 14.954 Empreendimentos de Econômicos Solidários (EES) foram recenseados em todo o Brasil. A maior concentração dos EES se encontra no Nordeste (44%), enquanto 13% destes empreendimentos ficam na região Norte, 14% na região Sudeste, 12% na região Centro-oeste e 17% na região Sul.

Isto posto, do ponto de vista dos valores sociais veiculados, a Economia Solidária considera o trabalho humano como um fim em si e não como um meio de aumentar as suas possessões. A Economia Solidária se opõe à exploração humana sob todas suas formas e reconhece o ser humano na sua integridade. A justiça social, a solidariedade e a democracia participativa são valores fundamentais da Economia Solidária e os termos patrão e empregados são substituídos pela palavra sócio. Dado que a meta da Economia Solidária é eliminar as desigualdades de riqueza e favorecer a justa distribuição de renda, os EES combatem a exclusão social e a pobreza. Contribuem também para o melhoramento das condições de vida individuais e coletivas e para o bem comum ao aumentar a renda dos sócios, o que lhes permite melhorar as condições de vida deles.

Além disso, a Economia Solidária promove um desenvolvimento local sustentável e cuida do meio ambiente com a criação de empresas sustentáveis. O desenvolvimento sustentável concilia o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e o fim da pobreza no mundo, harmonizando o imperativo do crescimento econômico com a promoção da eqüidade social e com a preservação do patrimônio natural, garantindo assim que as necessidades das atuais gerações sejam atendidas sem comprometer o atendimento das necessidades das gerações futuras.


A outra face da moeda: os limites da Economia Solidária


Analisando por um ângulo menos positivo, é interessante dirigirmos nossa atenção para o número ainda muito baixo de mulheres que atuam no setor da ES. Segundo as estatísticas do SIES de 2005, a participação das mulheres no âmbito nacional é de 36% e a dos homens de 64%. No que diz respeito às relações de trabalho, muitas vezes as mulheres ocupam a posição de executoras, enquanto os homens ocupam o cargo de gestão. Assim, vemos que mesmo num setor que promove a igualdade de gênero e que luta contra o modelo de organização patriarcal, é difícil chegar a uma verdadeira transformação social tão rapidamente. Ainda não é possível falar de igualdade de gênero.

Em relação à legalização dos empreendimentos solidários, somente 11% das cooperativas brasileiras são constituídas segundo os princípios da Economia Solidária. Existem também cooperativas fraudulentas, chamadas de COOPERGATOS. Esses empreendimentos não respeitam os direitos trabalhistas e tratam os seus(as) sócios(as) como empregados(as). Além disso, 33% dos EES são informais, quer dizer que não são legalizados. Isso atrapalha o bom funcionamento da Economia Solidária, privando estes empreendimentos de um recurso financeiro não desprezável.

Da mesma maneira, as diferentes nomenclaturas relacionadas à Economia Solidária podem confundir. Será que se fala da mesma coisa quando se fala de Economia Solidária, de Economia Popular Solidária e de Socio-Economia Popular? As nuanças a propósito das características que distinguem esses tipos de Empreendimentos Econômicos Solidários são às vezes imperceptíveis.


De qualquer forma, existem obstáculos no que diz respeito à comercialização dos produtos da Economia Solidária. Muitas feiras itinerantes são organizadas em todo o Brasil. Feiras municipais, regionais e estaduais oferecem produtos de boa qualidade, o problema é que existem poucos pontos de venta fixos . O escasso acesso aos produtos da Economia Solidária dificulta o consumo solidário e sustentável. Por exemplo, alguém que mora longe dos grandes centros urbanos ou num lugar onde não tem feiras itinerantes mal pode procurar produtos solidários. Também, não existe certificação nacional que garanta que o produto seja oriundo da Economia Solidária, então o consumidor tem que confiar no vendedor. Outro problema importante ligado ao esgotamento dos produtos solidários é a falta de conscientização dos(as) brasileiros(as) para com as vantagens de incentivar a Economia Solidária em vez de comprar um produto oriundo do mercado tradicional. É importante informar e sensibilizar os(as) consumidores(as) de todas as classes sociais sobre os benefícios do consumo solidário para todos os(as) brasileiros(as).

Para concluir, tanto o Fórum Social Mundial, as políticas de desenvolvimento e de apoio à Economia Solidária, o organismo Caritas Brasileira como a ação de uma centena de organizações da sociedade civil contribuíram para que a Economia Solidária não fosse mais reconhecida como um setor marginal, mas como uma prática sócio-econômica viável, duradoura e proveitosa para todos. De um lado, a SENAES cumpre um papel central na aplicação das políticas públicas de desenvolvimento da Economia Solidária. Essas políticas são organizadas por meio do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, da Conferência Nacional de Economia Solidária e pelo Programa Economia Solidária e Desenvolvimento. De outro lado, a Economia solidária privilegia os valores de justiça social, de solidariedade e de autogestão além de abolir o sistema de hierarquia inerente ao mercado de trabalho capitalista. Assim, no setor da Economia Solidária, o patrão e o empregado deixam lugar aos parceiros, aos aliados e aos sócios. A remuneração dentro dos Empreendimentos Econômicos Solidárias é feita de forma justa e eqüitativa. .

Finalmente, quanto ao avanço da democracia e a justiça social, a Economia Solidária representa um progresso considerável. Os limites que entravam o bom funcionamento da Economia Solidária – a subrepresentação feminina nos empreendimentos solidários e o papel das mulheres dentro da Economia Solidária, os desafios da comercialização dos produtos solidários, tanto como as diferentes nomenclaturas dadas à Economia Solidária – poderão ser ultrapassados se um esforço de sensibilização e de mobilização for feito pelo governo federal e pelas organizações da sociedade civil engajadas neste processo de mudança social, política, econômica, cultural e estrutural. Dando mais atenção a estes desafios, será possível reajustar o tiro e encontrar outras aberturas para os produtos da Economia Solidária tanto no Brasil como ao nível internacional. Os(as) brasileiros(as) devem guardar na mente que quando consomem produtos solidários, fazem um ato de solidariedade com seus compatriotas menos privilegiados. Também, o consumo solidário colabora no melhoramento das condições de vida do conjunto da população brasileira. Como os valores de solidariedade e de fraternidade estão bem ancorados dentro da cultura brasileira, acreditamos que a expansão do setor da Economia Solidária é possível e previsível sem dúvida nenhuma, e que constitui a chave para construir uma sociedade mais justa, mais democrática e mais humana.


Delphine Melanson

domingo, 20 de janeiro de 2008

Bem-vindos neste novo blog

Ola e bem-vindos a todos!! Agora decidi começar escrever seriamente em português.
Obrigada pela sua indulgência a proposito dos erros de português. O português è só a sexta língua que aprendi.

Daqui a pouco tempo este blogue conterá mais amterial

Delphine