terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Identidade na neve

Hoje uma tempestade de neve absolutamente maravilhosa cobre o ceu de branco. Nao se vê nada. Tal vez tenha também uma tempestade tao forte dentro de mim. Vou aproveitar para sair nesta natureza selvagem com a minha cachorra, bem vestida naturalmente.

Todo mundo aqui tem ansia de ver o inverno terminar, flores brotarem, verde e nao mais branco. Sendo uma descendente de Branco por minha mae que se chama Leblanc, nao posso recusar o frio, a imaculada concepçao que fez todo originar. E nao importa errar, porque aqui nao tem problema, nao tem barulho, so milhoes de flocos de neve todos diferentes mas tao iguais ao mesmo tempo caindo da abobada celeste a um ritmo calculado.

Estes flocos sao como nos, os seres humanos. Queremos tanto provar nossa identidade, nossa unicidade, enquanto somos no fundo tao ligados uns aos outros... Nao precisamos mais do ego, precisamos unir nossas forças para alcançar outro patamar de consciência global. Ja estamos chegando.

Termino esta postagem um pouco melancolica com um extrato do livro A arte e ver e de ouvir. 'Sopra o vento e ruge alto a tempestade e no auge da ventania voam telhados, arvores se destroçam e nuvens se chocam e se dissipam para que, posteriormente paire a suave brisa. No dia da ventania so restara aquilo que deve permanecer e perante o vento nao ha mascara que prevaleça. Se prepara, oh! guerreiro para que, quando o vento chegar, as tuas asas possam suportar as alturas, as tuas penas aguentarem firmes e teus ouvidos auportarem o ruido, majestoso, mas dolorido. Ha que se encarar a solidao e perder-se nas trevas da noite, como aguia altaneira e solitaria. Esta e a cançao do passaro. Benditas sejam as tempestades que prevalecem para testarem a força da arvore. Benditas sejam as arvores que podem suporta-las.

2 comentários:

Anônimo disse...

onnkiPaciência, paciência, paciência, que exótico perfume exala esta flor...

Você não é pouca coisa, guria.

Amor
Naiman

Unknown disse...

É, acontecimentos externos podem mesmo refletir a sua realidade interna, mesmo que não haja nenhum relação direta aparente ;-)
Talvez a gente precise mesmo encontrar uma identidade, mas só para depois compreender que a ela só tem uma importância relativa, já que somos todos o mesmo, assim como a neve que antes caiu em flocos separados e forma uma só massa. A identidade é só uma porta para a liberdade que se encontra na unidade.
E o bambu é o que mais resiste na ventania, porque as árvores mais duras são partidas e o bambu é o mais flexível hehe ;-)